domingo, 7 de junho de 2009

C I C A T R I Z A N D O (...)

EQUILIBRISTAS OU CRIADORAS DE UMA NOVA VIDA?

Como é se equilibrar nas estacas do trauma e seguir caminho após sofrer algum tipo de violência sexual?

“Meninas sangrando na boca e no meio das pernas. No meio da noite tomando cacete sem dente, sem leite.” (Ana Carolina – Nada te faltará)

Já aconteceu, não há mais volta!

Psiquiatras – Psicólogos – Ginecologistas – Terapias Alternativas

A busca por recuperação e uma nova vida!

Ao falar sobre a vida após o trauma, é normal imaginar uma pessoa se equilibrando com muita dificuldade e por vezes caindo, se machucando ainda mais até precisar de uma ajuda pra subir novamente nas estacas.

“E agora, José? A festa acabou; A luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. E agora, José?” Drummond (José)

Contudo, mais inteligente seria construir um novo caminho, seguro e firme.

É fácil? - Não! Assim como na imagem acima, o caminho da dor se destaca praticamente ofuscando a possibilidade de um novo caminho.

Fácil seria basear o resto da vida no trauma, mesmo que inconscientemente!

A dor sempre existirá e incomodará, mas trilhar ou não o caminho dela é questão de escolha.

Construir um caminho paralelo devidamente “pavimentado” requer um esforço que vai desde a busca pelo apoio da família, passando por profissionais de saúde até o ponto em que os antidepressivos podem ser substituídos por terapias alternativas.

“O povo fala. O povo fala mesmo! O povo fala e fala mesmo e fala pelos cotovelos...” Ana Carolina (Vox Populi)

Inteligência emocional – É fundamental desenvolve-la!

Esse tipo de inteligência protegerá a mulher agredida das muitas 'besteiras' que as pessoas dizem:

- “Ah minha filha foi castigo divino, foi Deus dizendo que agora deve dedicar toda sua vida a objetivos religiosos.”

- “Olha, agora você nunca poderá ter filhos.”

- “A culpa foi sua, deve ter dado chance pra que isso acontecesse.”

Enfim, nessas ocasiões aparecem todos os tipos de pessoas grossas e vulgares. De modo que é essencial ter inteligência emocional suficiente para não levar em consideração tudo o que escuta. É importante lembrar que ninguém, a menos que tenha tido uma experiência similar, tem a mínima noção do que passou e do que teve que fazer para preservar a própria vida. Não se reprima, repreenda pessoas inconvenientes de modo que não se atrevam mais.

“Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse... Mas você não morre. Você é duro, José!” Drummond (José)

Desabafar não é sinônimo de fraqueza! Grite, chore, sussurre, durma o dia inteiro, corra sem rumo... Extravase! A única proibição é a falta de atitude, se render e deixar que a vida gire em torno de algo ruim.

É comum maximizar o próprio problema como se ele fosse pior do mundo, mas acredite existem pessoas com problemas que sequer imaginamos. Então, sem desmerecer a própria dor, desabafe, mas não se permita desistir da felicidade.

A busca pela felicidade deve ser uma obstinação, não permitamos que nada e nem ninguém nos tire isso.

Não será um estupro que tirará da mulher qualquer possibilidade de felicidade, ao final das contas ela “não morre”, ela é dura!

“Ela é bala. A mestiça é todo gás. Cada braço é uma viga do país.” Ana Carolina (Ela é bamba)

Cabe a mulher decidir se esse acontecimento ruim vai mudar totalmente a vida e os planos.

Analise se realmente há necessidade de ‘trancar’ a faculdade, abandonar o trabalho, mudar de cidade...

Enfim, agir por impulso não é adequado. Até o ponto em que a fatalidade aconteceu, ela traçou objetivos, planos e batalhou por isso e de uma hora para outra um estranho a agride e tudo vai por água a baixo?!

Calma e força é a chave para não tomar decisões tolas.

A vida não acabou, pelo contrário, nessa situação poderá conhecer a garra que tem e a capacidade de superação.

“Pois quando estou fraco, é que sou poderoso.”
(Bíblia – 2Cor. 12:10)

É questão de sobrevivência buscar a positividade em todas as situações da vida. É possível que durante as desventuras as melhores oportunidades surjam.

É na fraqueza que pode entender que a própria força não tem limites. Pode parecer contraditório, contudo faz sentido se considerar que ninguém conhece seu limite até que realmente o atinja.

Existem muitas explicações para os diversos acontecimentos da vida. Particularmente penso que à medida que eu me fortaleço poderei ser como um abrigo contra temporais para as pessoas que amo.

Dentre várias, separei algumas palavras de peso: Força; Disciplina; Humildade; Persistência; Superação; Astúcia; Sagacidade; Habilidade...

“Não pensa mais nada, no final dá tudo certo de algum jeito...” Zélia Duncan (Eu me acerto)

Carinho! Aquele abraço apertado e aquela voz macia: -“Vai ficar tudo bem!”

Com a frase abaixo finalizo essa publicação celebrando a mulher que sou, a mulher que me fez e as mulheres que ainda estão por nascer:

Até que seja depurada em seu próprio fogo e ressurja soberana de suas próprias cinzas não há como conhecer a Fênix que rege no ventre de cada mulher, independe o modo.

Portanto, não se equilibre – faça melhor – construa um novo caminho!

Clique aqui para ler a publicação C I C A T R I Z E S (...)


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Hoje é Sexta-Feira?!

Essa pessoa e sua dog descansarão até o dia 07/06, quando volta com um vasto material e assuntos importantes e interessantes!

C I C A T R I Z E S (...)


Meu corpo - Meu templo - Meu santuário

Como é se equilibrar nas estacas do trauma e seguir caminho após sofrer algum tipo de violência sexual?

Vou começar com uma abordagem superficial sobre as possíveis reações de crianças que sofrem algum tipo de violência sexual e em um segundo momento trarei a tona o estupro como violência sexual contra a mulher:


Primeira Situação:


A criança é uma menina de seis anos. O seu tio, irmão de seu pai, a molesta. A criança não consegue reagir, fica paralisada.


O tio faz algumas das seguintes ameaças:

§ “Se você contar pra alguém eu o mato seu/sua pai/mãe e nunca mais a/o verá”;

§ “Se você contar eu a mato”;

§ “Se você contar eu te bato”.


A Criança Se Cala! Por Quê?


Ela não tem noção lógica do que o agressor realmente seria capaz de fazer. Simplesmente acredita que ele realmente seria capaz de privá-la das únicas pessoas que de fato poderiam protegê-la e amá-la.

À medida que o tempo passa e a criança amadurece nota que é possível parar o agressor e que de forma alguma ele teria coragem de matar seus pais. Coloca um fim na situação sozinha, sem que ninguém saiba de tudo o que aconteceu. A vergonha, a dor, o nojo de si e outros sentimentos de repugna fazem com que o silêncio seja sua religião. A agressão cessa, mas a dor é permanente.

O medo de falar gira em torno da vergonha e da possibilidade de ocasionar uma tragédia familiar. Sem contar que na maioria dos casos a maioria dos familiares não acredita no que a criança conta.

Daí origina-se traumas psicológicos e mudanças comportamentais que podem ser observados pelos pais: agressividade, irritabilidade, alterações no sono, dificuldade de concentração e conseqüente baixo rendimento escolar, voltam a fazer xixi na cama, medo irracional de algumas situações ou pessoas, dificuldade no relacionamento com outras crianças ou adolescentes, silêncio, quietude fora do normal (quando disserem: “Nossa como ela é quieta e calada. Você deve ser muito brava!” desconfie!) e etc.

Quando um adulto sofre algum tipo de violência (tratarei desse assunto logo à frente) sente uma vergonha incomum. Uma resistência quanto a falar do assunto, buscar ajuda – expor-se.

Imagine a situação da criança que sofre abuso de um membro da família que deveria protegê-la?

Não critique ninguém pelo silêncio! Somente quem sofreu algo assim sabe da dor! Se puder ajude e busque ajuda!

Casos assim podem estar acontecendo nesse momento em sua família ou com o filho (a) do vizinho.

Segundo o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), a violência sexual é considerada crime, conforme artigo 244-A, incluindo a exploração sexual e a prostituição infantil com pena de reclusão de 4 a 10 anos e multa.

Como Ajudar?

§ Busque para a criança e para a família apoio psicológico e psiquiátrico.

§ Em determinadas ocasiões é necessário auxilio médico-hospitalar.

§ Transmita confiança à criança.

§ E por fim:

DENUNCIE!

Segunda Situação:


Na volta da faculdade a jovem é abordada por dois homens armados. Ela é estuprada cruelmente pelos agressores (“Abra as pernas sua vagabunda, é só uma trepadinha. Vai dizer que não gosta?”) e abandonada em um local ermo (Diálogo entre os agressores: - “E então, o crime é hediondo. Tem certeza de que ela não se lembra do nosso rosto? Se ela lembrar a gente vai ter que apagar essa desgraçada” – “Deixa ela aí, provavelmente vai morrer sozinha mesmo.”). Percorre alguns quilômetros com hemorragia a fim de conseguir ajuda. Encontra um povoado rural, bate nas portas diz aos prantos o que aconteceu e ninguém abre a porta. Suas forças são baseadas no instinto de sobrevivência, apenas! Encontra um telefone público: “Mãe, sofri um assalto. Chame a polícia e venha me buscar!” A mãe chega e quando vê tanto sangue tem uma horrível crise de vômito.

Viatura da Polícia – Pronto Socorro – Delegacia – IML – Ambulatório de Apoio à Mulher que Sofre Violência Sexual

Cada mulher pode reagir de uma forma diferente ao sobreviver a um estupro.

- “Por Que Eu Sobrevivi?” A mistura dos sentimentos de dor da culpa, asco e desilusão com a vida levam a mulher a um quadro de depressão pós-traumática. Se não for tratada corretamente a depressão pode levá-la até mesmo ao suicídio.

Distúrbios Sexuais!Outras passam a se sujeitarem a situações sexuais desonrosas por desenvolverem distúrbios sexuais após o trauma.

As reações variam, podendo ser fatal caso a mulher não seja assistida por profissionais capacitados, principalmente se a violência gerar uma gravidez ou doença sexualmente transmissível.

A vítima Se Transforma Em Vilã! É isso o que a sociedade hipócrita e preconceituosa faz de modo geral – transformar a vítima em vilã. “Quem a mandou usar vestidos tão provocantes? Estava mesmo pedindo que isso acontecesse!”; “Não sente onde ela sentou, pode ser que tenha pegado alguma doença!”; “Ela deve é estar feliz, pelo menos alguém quis pegar!”. Até parece que ninguém faria comentários assim. Mas acreditem, os comentários são os piores possíveis. A mulher que já está destruída psicologicamente, fisicamente e emocionalmente se sente ainda pior. Fora as mulheres que são demitidas após sofrerem a violência.

Falta instrução para a população de um modo geral sobre como agir quando alguém de sua convivência passa por tal trauma. Principalmente em pequenas cidades ou comunidades do interior dos Estados a imagem que fazem da vítima é totalmente distorcida. Muitas mulheres não registram ocorrência, de modo que os agressores ficam livres para destruírem a vida de mais pessoas.

Certamente, é revoltante quando a mulher se expõe e simplesmente nada é feito pelas autoridades competentes.

Alguém já imaginou o esforço que é para uma mulher ter que visitar um ambulatório de apoio à mulher que foi violentada periodicamente durante quase dois anos, fazendo exames, conversando com psicólogo – tentando se convencer de que foi bom ter sobrevivido?

Não estou falando sobre sentimentalismo fútil e sim de sobrevivência. De algo que provoca na grande maioria, em primeiro momento uma cara normal de quem ficou sabendo de algo corriqueiro e em segundo momento um pensamento de alivio por não ter sido com a própria família. Ao final das contas, isso sempre pode acontecer com a família da casa ao lado e não com a nossa.

Pois digo em toda a verdade: Se puder ajudar, ajude ativamente. Caso contrário tenha o mínimo de respeito e evite até mesmo pensamentos maldosos.

Como Ajudar?

§ Conscientize a mulher agredida da necessidade de registrar ocorrência.

§ Procure programas de apoio direcionados a pessoas que sofrem esse tipo de violência. São oferecidos médicos, exames, medicação e apoio para a família.

§ Repreenda pessoas preconceituosas que façam comentários maldosos.

§ Dê carinho e compreenda que ninguém pode julgar a dor que a mulher está sentindo.

§ Nunca sinta dó! Agir normalmente é a melhor forma de ajudá-la a ter força e garra para reconstruir a vida.

Então, quem se habilita a responder à pergunta que fiz no inicio de minha explanação:


Como É Se Equilibrar Nas Estacas Do Trauma E Seguir Caminho Após Sofrer Algum Tipo De Violência Sexual?


(A resposta a essa pergunta e muito mais será publicado na próxima semana!)


Mais Informações: Brasil Contra a Pedofilia, DIHITT, ABC da Saúde, PCO.org, Blog da Lola, Jornal Dia a Dia